sexta-feira, 28 de maio de 2010

TUDO É POSSÍVEL

Nasci e me criei em uma pequena cidade do interior de Alagoas, Piaçabuçu, filho de uma família tradicional, porém meu pai não atendia o perfil dessa tradição, era um daqueles pequenos agricultores que tinha que ralar muito para manter a família. Sou o segundo de nove irmãos, aos 17 anos meu pai me deu a carta de alforria, e sai sem destino para o Rio de Janeiro, com alguns centavos no bolso naquele dezembro de 1977 desembarquei no meio da estrada rumo à cidade maravilhosa. O que era sonho começou a virar frustração, porque ao descer na metade de um percurso e descobri que não tinha para onde ir significava que tudo estava acabado.
Alojado-se na casa de um tio que nem sabia que eu estava para chegar, comecei uma das batalhas mais árdua, tirar toda documentação, foram meses de tentativas, mas finalmente conseguir, eu era a partir daquele momento um cidadão, minha alegria foi imensa. Buscar o primeiro emprego com carteira assinada é uma peregrinação para um jovem que nem o primeiro grau tinha, o máximo que arrumei foi uma vaga de ajudante de pedreiro na reforma da casa de uma tia irmã de minha mãe, menos mal, pelo menos a alimentação estava garantida por alguns meses. Diante de novas tentativas de arrumar um emprego, descobri que para adolescentes naquela época não era dada a oportunidade de mostrar seu potencial como trabalhador, isto por questões da idade próxima de servir as forças armadas.
Por excesso de contingente me livrei do exército e, arrumei o primeiro emprego com carteira assinada na indústria automobilística, foram pouco mais de 2 anos como funcionário, mas me rendeu a conclusão do 1º grau através do supletivo.
A crise na indústria automobilística de 1981 trouxe-me de volta para a minha terra, com um pequeno desvio na rota de chegada fui parar na capital alagoana. Foi em Maceió que dei continuidade aos estudos no intuito de concluir o 2º grau, e consegui. Em um belo dia do mês de julho do ano de 1984 resolvi acabar com a solidão ao encontrar minha alma gêmea, e dessa união veio um casal de filho, sinal de mais responsabilidade. O aumento dessa responsabilidade me levou a conhecer outras áreas do profissionalismo sem ter medo de vencer. Foi catador de lixo, fotografo por 18 anos e pedreiro nas horas vagas, essa última deu oportunidade de construir meu refugio com minhas próprias mãos. Mas, a perseverança de uma nova vida com mais qualidade fez com que ingressasse na universidade no curso de ciências aos 34 anos e posteriormente no curso de graduação em química.
Os resultados vieram no ano de 2000 com a aprovação no primeiro concurso público, logo depois fui aprovado em mais dois concursos, nos anos de 2003 e 2005, hoje sou professor da rede pública, isso me dá muito orgulho. Com posgraduação em Educação ambiental e Gestão, estou sempre interagindo com Meio ambiente, buscando sempre a felicidade.
“O objetivo de nossa vida é a busca da felicidade”. E, essa felicidade só é possível se existir persistência, não importa de que origem você tenha vindo, o importante é que você não desista, porque aí tudo é possível. Eu sou um vencedor!!